terça-feira, 14 de junho de 2016

COMO SUPERAR A ABORDAGEM GEOGRÁFICA EM CÍRCULOS CONCÊNTICOS

Em 1991, Santos identificou duas metodologias de ensino de geografia. A primeira é a abordagem sintética, que prevaleceu durante as décadas de 80 e 90 por se aproximar mais do construtivismo, se trata de apresentar o estudo da localidade como ponto de partida para o ensino da geografia e ampliar gradativamente as porções do espaço a serem estudadas. A segunda abordagem é a analítica, que parte da análise do distante e desconhecido para depois chegar ao lugar próximo, conhecido.

A abordagem sintética ainda é utilizada, apresentada como círculos concêntricos por Callai (2005), onde os professores iniciam apresentando para os alunos a família, partido para a escola, a rua, o bairro, a cidade, assim por diante. O erro dessa abordagem é justamente apresentar as porções do espaço em círculos fechados, não considerando as relações e influências que um exerce sobre o outro. Dessa forma, a dinamicidade do mundo e das relações humanas não são suportadas, e, embora o professor acredite está trabalhando a partir da realidade do aluno, está o afastando mais, apresentando um mundo divergente das tenções do real.

Parte do problema se dá pelo fato de grande parte dos professores optarem pelas metodologias com as quais foram alfabetizados, e parte por falhas na graduação da pedagogia, que dá pouco espaço para a discussão sobre as áreas do conhecimento, favorecendo para que continue perpetuando o uso de metodologias tradicionais em sala de aula.

Todavia, é necessário superar essa visão sintética da geografia, trabalhando com a totalidade-mundo ( Straforini 2002). A realidade evoca a idéia de totalidade, e torna-se impossível o estudo do mundo de forma linear. É preciso primeiro considerar as relações do bairro com a cidade, do estado com o bairro, do continente com o país, etc, e também a transição das pessoas por estes espaços.

Callai (2005) mostra que não só é possível trabalhar com a totalidade-mundo desde as séries iniciais do ensino fundamental, como também é possível fazê-lo de forma interdisciplinar, tornando as aulas um todo, e não mais disciplinas isoladas com maior ou menor grau de importância no planejamento. ‘O desafio é compreender o "eu" no mundo, considerando sua complexidade atual’ ( Callai 2005, p 230), sendo um dos caminhos ensinar as crianças a leitura do mundo a partir de sua própria relação com o ambiente, levando sempre em conta a complexidade das relações atuais. Para tal. Callai (cap III) afirma que nas séries iniciais a geografia deve ter objetivos semelhantes ao demais níveis de ensino, não se limitando ao concreto imediato da criança, que só faz a limitar e distorcer a visão do espaço geográfico.

Souza (1999) também defende que é impossível dissociar mundo de lugar. Assim, deve-se encontrar elementos globais no lugar de convivência da criança, e estabelecer relações do próximo com o distante.


É possível concluir que, mesmo com as inúmeras contribuições do construtivismo, uma leitura equivocada do mesmo pode tornar a geografia fragmentada e sem sentido. É preciso partir do conhecido do aluno, de seu meio de convivência, tornando-o ponto central do discurso e valorizando os elementos globais existentes neste para destrinchar o geral, sempre retornando ao particular e estabelecendo relações para que o aluno participe ativamente da construção do espaço geográfico.

ABORDAGEM DO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM

O artigo trata das abordagens do processo de ensino aprendizagem. O autor organiza os conceitos de cada uma das cinco abordagens de acordo com os referenciais teóricos de quatro dos principais estudiosos que analisam e comparam cada abordagem, sendo eles Bordenave(1984), Libâneo (1982), Saviani (1984) e Mizukami(1986), sendo este último utilizado como base para comparação aos demais. Os referenciais teóricos são analisados sob quatro aspectos: o aluno, o professor, a escola e o processo de ensino aprendizagem. Vale ressaltar que o processo de ensino aprendizagem é composto, segundo Vatan, por duas partes: “ensinar, que exprime uma atividade, e aprender, que envolve certo grau de realização de uma determinada tarefa com êxito.” (p. 19)
Abordagem Tradicional: A prática educativa é caracterizada pela transmissão do conhecimento, sendo o professor autoridade máxima em sala de aula, responsável por essa transmissão independente do interesse dos alunos. O aluno é um ser passivo, e deve assimilar com eficiência os conteúdos ministrados. Há o predomínio de aulas expositivas e exercícios de fixação.
Abordagem Comportamentalista: Bordenave a define como pedagogia da moldagem do comportamento; segundo essa linha, o homem é produto do meio, e pode ser manipulado por pela transmissão do conhecimento. O ensino deve lançar mão de reforços e recompensas para alcançar seus objetivos por meio de treinamento. A escola é vista como “agência educacional”. O educador seleciona os conteúdos e aplica de forma que garanta a eficiência do ensino, e o aluno eficiente lida de forma científica com os problemas da realidade. O processo de ensino aprendizagem tem foco nos recursos utilizados para incutir nos alunos os comportamentos desejados.
Abordagem Humanista: O ensino é centrado no aluno. Aqui, o professor é visto como facilitador da aprendizagem, já os conteúdos são externos, valorizando a relação das pessoas envolvidas. “...O professor agiria como um estimulador e orientador da aprendizagem.” (p 24) O processo de ensino aprendizagem obedece o desenvolvimento psicológico do aluno.
Abordagem Cognitivista: Também conhecida como piagetiana, por sua grande contribuição. O pensamento é a base da aprendizagem, que se dá pela interação entre sujeito e objeto através da modificação de estruturas mentais já existentes. O professor deve criar situações desafiadoras que estimulem o aluno a “aprender a aprender”. O ensino deve desenvolver a inteligência considerando o aluno um ser social.
Abordagem Sociocultural: Aqui o sujeito é considerado elaborador do conhecimento, e a aprendizagem não se dá somente na escola. A educação é um ato político. Tanto professor quanto aluno são sujeitos do ato do conhecimento, sendo o processo horizontal e o professor com dever de direcionador. “Os temas geradores para o ensino devem ser extraídos da prática de vida dos educandos.” (p 27)

Antes de concluir, o autor ressalva que as classificações não tem limites fixos, e os referenciais teóricos não são fechados, sem pontos de interligação. Também a educação e a escola não deve ser analisada em considerar a sociedade em que está inserida.

SANTOS, Roberto Vatan dos. Abordagens do Processo de Ensino e Aprendizagem. Integração. JAN. FEV. MAI. 2005 ANO XI, Nº 40 19-31

quarta-feira, 8 de julho de 2015

HUMAN, ALL TOO HUMAN


O QUE É SER PEDAGOGO

Pedagogia é o ato de educar, é mais que uma profissão! É dedicar seu tempo e sua criatividade por pessoas que você nem conhece! É ter dores de cabeça quando percebe que não consegue atingir uma criança, e se entregar por inteira para conseguir ajudá-la. É vibrar pela vitória de um desconhecido, toda vez que ele lê uma palavra sozinho, que interpreta uma frase, um texto... É se emocionar com cartinhas cobertas de desenhos rabiscados e variadas cores, que não faz sentido para ninguém, mas você sabe o que diz, e se torna um segredo seu e dele (aluno).



É necessário ter consciência da grandeza deste trabalho, afinal, um pedagogo não é um simples alfabetizador, é um formador de opiniões, transmissor de culturas, preservador de valores, formador de condutas, de personalidades, afinal, não é na infância que se constitui o adulto? Esta figura, o pegagogo, é um  transformador de nações!




Infelizmente convivemos com a crescente desvalorização deste profissional, a ponto de quem estuda pedagogia ter vergonha de admitir o curso. Não deveria ser assim! Ao contrário do que todos pensam, este não é um curso fácil, ser pedagogo não é (somente) ter dom, não é (somente) vocação, há muito estudo, muito trabalho, esforço, mas é claro, não pode faltar carinho e amor...


Se você não é capacitado para oferecer uma aula digna, e que não seja um professor que pense no futuro dos alunos, só é professor pois é uma "tarefa fácil", saia do curso de Pedagogia! Já existe muitos professores incapacitados, não precisa de mais um.


Devemos pensar que médico, engenheiro, psicólogo, e até mesmo o presidente da República passa pelas nossas mãos pedagogos. Portanto queridos pedagogos não abaixem a cabeça, pois não há curso mais glorioso que o Pedagogia.


Quando alguém perguntar que curso fazemos, erguem a cabeça e fale Pedagogia, sou Pedagogo. Eu particularmente tenho orgulho de ser Pedagoga, não existe trabalho mais gratificante que ficar com crianças inocentes, onde depende de nós fazermos elas pessoas justas e honestas!



terça-feira, 7 de julho de 2015

ESCOLA E DIVERSIDADE: PROJETO RAABE E APOIO ÁS MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

O Projeto Raabe foi criado pela escritora e apresentadora Cristiane Cardoso, por iniciativa da Igreja Universal, tendo por objetivo valorizar e apoiar as mulheres que se encontram  passando por  violência doméstica e familiar e que precisa de ajuda psicológica e emocional.
O nome Raabe foi inspirado por uma personagem mulher na bíblia que era desvalorizada, prostituta, sem rumo na vida e com medo. Todavia não deixou de ajudar os espias - espiões que entraram na cidade inimiga para espiar a terra se era boa ou não para eles - usou de misericórdia para com eles, deixando-os escapar da cidade em segurança e assim não foi esquecida quando houve a batalha, salvou a si mesma e também a sua família ao sair da cidade protegida por esses espias, tendo um papel importante na História dos Hebreus.
As mulheres que, como Raabe, sofreram ou sofrem humilhações, abusos e violências têm na Lei e no movimento Rompendo o Silêncio desse projeto, o apoio e uma chance de romper e lutar contra os traumas. Essas são chamadas de Raabe contemporâneas, que segundo a criadora da ação social, vão dar início a uma nova vida.
Todo segundo domingo do mês, o projeto Raabe realiza reuniões no templo da igreja Universal em vários lugares do Brasil e do mundo. Acolhendo as mulheres que sofreram algum tipo de violência de seus parceiros, o projeto orienta-as, tendo vários profissionais e voluntárias sobreviventes destes abusos a disposição. Este projeto acompanha as mulheres que sofreram violências domésticas e familiares em situações citadas pela lei Maria da Penha que são essas:
I – no âmbito da unidade doméstica, compreendida como espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive esporadicamente agregadas; Ou seja, qualquer ato de violência que ocorra dentro de casa, não importando se as pessoas são parentes ou não, desde que haja convivência.
II – no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou vontade expressa; Ou seja, qualquer ato de violência que ocorra não necessariamente dentro de casa, mas causado por um familiar…note que a lei diz “indivíduos que são ou se consideram aparentados”, o que significa que não precisam ser parentes “de sangue”, nem casados.
III – em qualquer relação intima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independente de coabitação, isso é muito importante! Em QUALQUER relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida. Isso quer dizer que se seu namorado lhe ameaça ou lhe agride, você está amparada pela Lei Maria da Penha, independente de morar ou não com ele. Você não precisa morar ou ter morado com seu agressor para que seja configurada violência doméstica.
E também que sofreram qualquer dos seguintes tipos de violência:
*A violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal.
 * A violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause danos emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularizarão, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.
 *A violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer  método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.
 * A violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.
 * A violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
O evento intitulado, Rompendo o Silêncio, desse projeto causa impacto nacional e internacional e ajuntam mulheres de todos os lugares neste evento e nas palestras. Incentivando - as a denunciar os autores das agressões, essas manifestações ocorreram em Lisboa e Porto no dia 24 de novembro de 2013. Em Rio Branco no Acre e em vários lugares brasileiros, as manifestações reuniram milhares de pessoas, tendo a presença de esposas de prefeitos e delegadas que deram palestras sobre a violência contra a mulher e a importância do projeto Raabe.
A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU) deixa claros os DIREITOS das mulheres e são:
*Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.
*Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
 *O poder público desenvolverá políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. 
*Cabe à família, à sociedade e ao poder público criar as condições necessárias para o efetivo exercício dos direitos enunciados.
É fundamental termos nessa luta, relata o artigo sobre o projeto, homens com sensibilidades e mulheres que conhecem seus direitos e essa Lei que veio para protege-las das violências. Só assim a violência tende a diminuir.
Maria da Penha Maia Fernandes.
Aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional e assinada em 7 de agosto de 2006, a Lei 11.340 de 2006, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha é considerada um avanço, pois reconhece como crime a violência intrafamiliar e doméstica, que indicam situações de violência determinando a amplicação de pena de prisão ao agressor e garante o encaminhamento da vítima e seus dependentes a serviços de proteção e assistência social.
Uma pesquisa do DataSenado sobre violência contra a mulher realizada em 2013 constatou que, por todo o Brasil, 99% das mulheres de todas idades, níveis de renda e escolaridade, credo ou raça já ouviram falar nessa Lei.
Apesar disso, uma pesquisa realizada pelo mesmo órgão em 2013 estima que mais de 13 milhões e 500 mil mulheres já sofreram algum tipo de agressão. 65% foram agredidas por marido, companheiro ou namorado. Ex-namorados, ex-maridos e ex-companheiros também aparecem como agressores frequentes, tendo sido apontados por 13% das vítimas. Parentes consanguíneos e cunhados aparecem em 11% dos casos. Destas, 31% ainda convivem com o agressor, e destas, 14% ainda sofrem algum tipo de violência. Este resultado, expandido para a população brasileira, implica em dizer que 700 mil brasileiras continuam sendo alvo de agressões. A violência doméstica e familiar exerce grande impacto nas taxas de feminicídio. Como resultado, num ranking de 84 países, ordenados segundo as taxas de homicídios femininos, o Brasil é o 7.º onde mais se matam mulheres.
O grupo Godllywood, tendo como principal idealizada Cristiane Cardoso (Escritora e apresentadora de televisão) e outros membros da IURD, criaram o Projeto Raabe em 2011, visando auxiliar a mulher que sofre ou já sofreu algum tipo de violência doméstica, dando suporte tanto no aparato jurídico, quanto no emocional.
A Igreja Universal do reino de Deus ampara este movimento, dando suporte físico, cedendo seu espaço nos templos, para reuniões coletivas e individuais de apoio emocional (ocorre todo segundo domingo do mês) ou apoio jurídico. A sede do Raabe é em São Paulo, dotado de mecanismos de controle centrais, de onde saem às decisões e ações que serão acatadas pelo coletivo em suas várias ramificações em 22 estados brasileiros e em outros países.   
O projeto tem como objetivo  auxiliar no tratamento das "feridas mais profundas" causadas pelo abuso. Para muitas mulheres o medo do agressor, sentimento de culpa, a dependência financeira e até mesmo a vítima não reconhecer seu valor, a impede de fazer a denúncia. Pensando nisto o Raabe atua além do pressuposto religioso, com uma equipe de profissionais como: psicólogas, advogados, assistente sociais, agências de emprego, profissionais da saúde (só em campanhas nas ruas) e até de mulheres que já enfrentaram tal violência e se recuperaram a fim de prestar apoio especializado as vítimas, dando apoio para uma chance de romper o silêncio e lutar contra o medo, as frustrações, os traumas, e dar início a uma nova vida.
O Projeto também atua nas Delegacias de Defesa da Mulher nas segundas e terças feiras, que são estatisticamente os dias que ocorrem mais boletins. Na delegacia essas vítimas são abordadas e convidadas a participarem das palestras oferecidas pelo projeto.

O futuro do projeto com certeza é muito grande, nosso objetivo não é acabar com a violência doméstica, queríamos fazer isso, mas infelizmente está fora do nosso alcance, claro que nós estamos trazendo consciência que isso acontece às pessoas, estamos ensinando as mulheres a como lidar com isso, e nós estamos aqui querendo mudar a situação delas a partir de agora.
Cristiane Cardoso, fundadora.
           
As ações do projeto Raabe não tem nenhum fim lucrativo, e são direcionadas á mulheres que sofrem violência doméstica e afins.
Muitos defendem que uma mulher agredida deve imediatamente denunciar o autor da agressão, mas a realidade é bem diferente. Por medo de represálias não fazem. Para a mulher que é vítima o simples fato de denunciar não basta.
O principal objetivo do projeto é dar apoio emocional, psicológico e até jurídico. Em minas Gerais o projeto funciona há 4 anos.
O trabalho em sí consiste, em regra, com algumas exceções; em reuniões que são realizadas mensalmente com todas as "sobreviventes e voluntárias", acontece a dissertação de assuntos que envolvam o tema com dinâmicas e todo um aparato áudio visual para facilitar a compreensão das ouvintes. Para atender a demanda, o projeto conta com voluntárias (não remuneradas). Estas têm um dia no mês onde recebem preparo e capacitação e fazem a divulgação do projeto.
Além das voluntárias, tem-se apoio político, municipal e estadual, assim como apoio de órgãos estatais como delegacia de mulheres, onde o projeto Raabe encaminha as referidas vítimas. engloba-se também o apoio de instituições religiosas como a igreja Universal.
Sempre há interesse por parte do órgão de comunicação em divulgar o trabalho, então, conforme relatos da coordenadora do projeto em minas, Sra. Daisy Barros o trabalho já foi e vem sendo apresentado em várias redes de televisão e rádio.
O movimento atual acontece de maneiras variadas, tanto no apoio emocional quanto no técnico das mulheres que o buscam. O projeto possui recursos limitados para se manter aberto, mesmo assim, sempre está buscando as melhores formas de atender aqueles que o recorrem. Dessa maneira grande parte das pessoas que trabalham no projeto são voluntarias.
Entre as voluntárias profissionais qualificadas para lidar com tais problemas inerentes a mulher e, vale ressaltar que muitas delas não são necessariamente membros do grupo. Algumas são palestrantes apenas, portanto, participam na maioria dos casos de eventos direcionados. Em Minas Gerais dentro dos encontros realizados já estiveram presentes Juízes de direito; delegadas; autoridades políticas; médicas da área de saúde relacionas á mulher; advogadas criminalista, artistas,  etc.
Todos os anos, acontece um evento onde as voluntárias e simpatizantes do projeto saem as ruas para levantar a bandeira contra a violência doméstica, onde reuniu-se em torno de 2000 mulheres em cada estado.
O projeto possui um  S.O.S a mulher, em sistema de plantão 24 horas,convênio com o Estado no sentido de encaminhar mulheres em estado de risco á abrigos , juntamente com seus filhos.
A divulgação é feita também em diversas instituições como câmaras e assembleias, onde já detiveram vários títulos pelo Brasil, em faculdades, programas de televisão e rádio, e é claro pela internet, mas principalmente em comunidades.
O problema social que circula as mulheres é bem mais profundo do que parece em primeiro momento, o sexíssimo e também o machismo são intrínsecos em nossa sociedade e quebrar vai muito além do que apenas tentar proteger aquelas que já sofreram algum tipo de violência. O impacto de um projeto para auxiliar as mulheres que lutam contra os fantasmas de seu passado e superar o controle masculino pode não ser tão imediato quanto se gostaria.
Começando para o apoio as denúncias, é um fato recorrente de que mesmo com todas as companhas feitas pelos mais diversos meios o número de denúncias contra agressores sejam eles de qualquer tipo, são bem menores do que de fato de violências ocorridas.
Prender os agressores é o primeiro passo para uma mudança mais afetiva na sociedade, mostrando assim que não se aceita aqueles que fazem mal a mulheres. Sejam ela de qualquer meio social, de idade, de relação com o agressor, não aceitar é o primeiro passo para a recuperação, não apenas daquela mulher em especifico, mas na tentativa de quebrar os laços do patriarcado marcos em nossa memória.
O movimento busca trabalhar a auto estima e também a não responsabilização das mulheres que sofreram, o culto de colocar a vítima como a culpada sendo quebrado, buscando criar nova geração que rompa com o ciclo de abuso contra mulheres. O aprendizado de uma que passa para a outra, até mesmo dos homens que cercam essas mulheres e sabem lidar com elas passa a ter um aprendizado. O conhecimento adquirido nas palestras é perpetuado a medida que as gerações passam, não sendo então apenas uma especificidade, mas sim uma integração com o pensamento.
As mudanças podem não ser tão imediatas quanto se gostaria, mas ao ir salvando mulheres, mesmo que possam parecer poucas no contexto geral, uma reprodução gera a outra, uma "corrente do bem". Mudar a mente de um, não se muda apenas a dele, mas de todos aqueles que a cercam.
Os sujeitos os quais participam do projeto são os voluntários, em sua maioria mulheres, interagindo com as outras mulheres, através de palestras e também de conversas, um grupo de apoio de maneira geral afim de melhorar a vida dessas mulheres e também daqueles que a cercam, como por exemplo os filhos, os pais, melhorando a vida de todos em um contexto maior. A medida que o trabalho é feito há uma mudança daqueles que estão em busca de auxilio, se tornando mais independentes, mais auto confiantes.
Apesar dos sujeitos se manterem os mesmos durante todo o processo, a modificação de comportamento que é a mais considerável, se tornando mais fortes e indo contra a violência, gera um movimento maior de apoio na tentativa de impedir que novas vítimas sejam feitas.
O movimento mesmo sendo apenas de um grupo de apoio as mulheres, existem mais dentro dos munícipios em busca de melhorarem as condições de todas as mulheres, é uma pequena parte do que é feito, mas é possível melhorar a situação geral com cada um desses grupos.
Ensinar que a vítima não tem culpa e também educar as crianças, sendo elas garotos ou garotas o quanto a violência não resolve nenhum tipo de situação é um grande crescimento.
O sentimento de unidade presente no grupo melhora seu investimento interno, todos têm uma causa em comum, a busca por uma situação de vida que toda mulher seria livre de todos os tipos de violência. Esse sentimento de unidade, mesmo que não o constitua como um grupo em busca de um objetivo certo, não sendo um grupo que sempre está em busca de melhorias ou de objetivos diversos, de uma mudança imediata, ainda faz muito por aqueles que participam. O crescimento do pensamento e também da corrente afim de se resolver a situação e melhorar a vida de todos que é o real foco do grupo, não é rápido quando se gostaria mas sem dúvida faz diferença.
CONCLUSÃO
A reação que se tem quando se tem acesso aos dados estatísticos de mulheres que sofrem violência  no Brasil é sempre de surpresa e revolta. Só em 2013, os dados foram de 13 milhões e 500 mil mulheres agredidas, não levando em consideração que devido a falta de apoio, sentimento de culpa ou medo de retaliação, uma quantidade considerável de mulheres ainda não denunciam os parceiros agressores.
Diante de tal informação, o projeto Raabe é tido como uma porta de entrada para o combate ao crime contra a mulher, por fornecer apoio psicológico e um 'ombro amigo' para as vítimas. É vital o apoio emocional para a mulher que se encontra em tal situação, pois o aconchego humano ainda é o melhor tratamento para as dores emocionais causadas pelo trauma.
O movimento Raabe também se destaca por, mesmo sendo vinculado á Igreja Universal, não se tratar de uma organização puramente religiosa, tendo sua área de atuação pautada na assistência social, psicológica e jurídica, embora a mesma explicite a importância da religiosidade, das crenças e da fé para uma real superação e início de uma nova vida para essas mulheres. O projeto assume sua responsabilidade social, buscando parcerias com personalidades não religiosas como políticos, artistas, etc, e palestras motivacionais e de divulgação dos direitos da mulher garantidos por lei.
Camila Sanches
Carolina Aparecida
Dayanna Carolina 
Geusa Nascimento
juliana Correa
 Nádia Bueno 

REFERÊNCIAS


sexta-feira, 26 de junho de 2015

ESTUDO DIRIGIDO: ESTRATÉGIAS DE PARTICIPAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA ORDEM SOCIAL ENTRE CRIANÇAS PEQUENAS


1. Como a autonomia da criança  é analisada nos estudos sobre infância?
Estudos dos últimos 20 anos afirmam que as crianças, através das relações com seus pares e com os adultos, constroem, estruturam e sistematizam formas próprias de representação, interpretação e de ação sobre o mundo.

2. O que é cultura infantil? quais são seus espaços de produção?
As culturas infantis podem ser vistas como construção coletiva que se faz através da ação social das crianças frente ás estruturas sociais e institucionais em que estão inseridas. É engajando-se ativamente nessas estruturas e no esforço de compreendê-las que as crianças criam formas específicas de ação, reproduzindo, contornando ou até transformando as estruturas
existentes.
James, Jenks e Prout sugerem que talvez o que vimos chamando de culturas infantis exista apenas nos espaços e tempos nos quais as crianças têm algum grau de poder e controle, como parques, pátios na escola, nos grupos de rua, etc.

3. Analise as contribuições de Corsaro, Sarmento e  Delalande para análise da cultura infantil.
Corsaro traz a noção de Reprodução Interpretativa, proposto como substituto ao conceito de socialização, enfatizando a a participação ativa das crianças nos seus mundos sociais e culturais, não sendo apenas meros aprendizes, mas sim sujeitos ativos das rotinas culturais, apropriando-se dos seus elementos e reinterpretando-os
Para Sarmento, o desafio da sociologia da infância é compreender esse processo de reprodução interpretativa. Segundo o autor, as culturas infantis estruturam-se em torno de quatro eixos: a interatividade, a ludicidade, a fantasia do real e a reiteração (possibilidade de transitar entre passado, presente e futuro através da imaginação e do fazer coletivo)
Delalande apresenta uma proposta de antropologia da infância. Em estudo etnográfico realizado em uma escola francesa, encontrou evidências da existência de culturas construídas através das brincadeiras realizadas em grupos que partilham um cotidiano. A autora entende que o conceito de culturas infantis ajuda a enfatizar a concepção da criança como ser que age sobre o mundo, desenvolvendo coletivamente práticas sociais e culturais próprias. Atribui ao brincar uma forma de ação social importante e nuclear para a construção das suas relações sociais e das formas coletivas e individuais de interpretar o mundo.
4. Quais os pressupostos teóricos, estratégias metodológicas da pesquisa da autora?
A pesquisa foi de caráter etnográfico, através de observação participante, de um grupo de crianças de 4 a 6 anos de uma instituição pública, enquanto brincavam sem a intervenção de um adulto. Foram utilizadas videogravações, audiogravações e comentários em caderno de campo, além de entrevistas  e conversas informais com as crianças.
A autora partiu do pressuposto de que é importante que as crianças sejam sujeitos participantes da pesquisa (CHRISTENSEN; POUT, 2002). Assim, os procedimentos adotados buscaram instaurar uma forma de pesquisar com crianças, incluindo-as efetivamente como informantes privilegiados, tanto na condução do estudo quanto na compreenção do objeto estudado.

5. Quais as estratégias de  aproximação para participação da criança na  brincadeira? e as de resistência?
Uma estratégia utilizada como primeira abordagem é a simples aproximação da criança no espaço de uma brincadeira, para observar o que está ocorrendo, antes de uma estratégia de acesso mais direta. Outra estratégia é desenvolver alguma ação semelhante á brincadeira, mas não diretamente sincronizada aos outros participantes da ação conjunta, mostrando assim o seu desejo de brincar junto e que sabe brincar com elas. Outra estratégia é oferecer algum brinquedo ou objeto que contribua com a brincadeira. Uma quarta estratégia é solicitar diretamente a participação: " Posso brincar?". Esta quarta é mais comumente usada quando a criança já tem um grau de intimidade com os demais participantes da brincadeira. Para obter acesso, as crianças também podem sugerir uma ação, através de declarações do tipo " aí ia ser a festa de aniversário da Milena!", ou encenando alguma ação que se enquadra á brincadeira, sendo esta a que possui maior nível de resistência, por se tratar de uma invasão da criança na brincadeira, surpreendendo o grupo, não respeitando o poder de decisão do grupo e ameaçando a brincadeira.
Já a resistência á entrada de uma criança na brincadeira pode ser manifestada de várias formas, por um gesto ou movimento ( empurrão, etc) expressão verbal sem justificativa (não, você não pode), uso de argumentos relacionados ás relações de amizade ( eu não sou seu amigo),  argumentos relacionados á propriedade do espaço ou da brincadeira ( eu peguei primeiro), uso de referência a regras ( só tinha duas princesas) ou argumentos relacionados a autoridade do chefe, daquele que manda na brincadeira.

6. Quais  as conclusões da pesquisa?   
As estratégias de acesso das crianças ás brincadeiras é um processo complexo e regido por normas e valores partilhados, e a base desse processo certamente são as experiências vividas pela criança nos espaços familiares e escolares, mas principalmente no contexto da criação conjunta de pares de valores comuns que as crianças instituem sua própria ordem social. Não estão ausentes no grupo de pares as diferenças de poder, prestígio e status social entre as crianças.

BORBA, Angela. Culturas da infância nos espaços- tempos do brincar: estratégias de participação e construção da ordem social em um grupo de crianças de 4 a 6 anos.  In: Momento, Rio Grande, vol. 18, 2006/2007, p. 35-50,  2006/2007..